eletroboogie |
1.10.08
crianças
estou de mudança para o seguinte endereço http://eletroboogie.blogspot.com/ espero voces lá ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 18.9.08
hey galera!!!
depois de um longo e tenebroso inverno, resolvi reativar meu blog... dei uma mexida nele, visual um pouquinho diferente e tal.... o legal é, que me parece, que várias funções aqui do blogger antigo não funcionam mais.... então quando postar um link, vou colocar o endereço e voces vão ter que copiar e colar nos navegadores de voces... auhauhahuhauhuahuahuauh haja trabalho!!!! o que pretendo com essa nova fase blogueira? basicamente a mesma coisa de sempre: falar sobre música e discutir alguns fatos atuais... sem pretensão, estarei indicando alguns sons novos para voces ouvirem e disponibilizarei alguns links (do rapidshare) com arquivos musicais para voces baixarem e ouvirem esses novos sons... as pessoas me associam ao rock, eu falo pra todo mundo que sou do rock....mas sei lá, tem vezes que penso que estou tão longe desse tal rock... estava conversando com um amigo e falei: "não existe, hoje em dia, pessoa mais conservadora que o cara que se diz roqueiro!" o que impressiona é que isso já foi o contrário!!! o roqueiro era o cara de cabeça aberta, que escutava coisas novas e era ávido por elas... essa resistência às novidades - ao diferente do normal - faz parte do perfil atual que vejo nesse povo, o tal que se diz do rock!!! se voce põe algo no som que tenha um approach um pouco mais eletrônico - mesmo sendo rock até a alma - sempre aparece um cara-pálida falando: "mas isso não é rock"... deveriam aprender com os beatles que viviam incorporando elementos novos, de todas as correntes musicais, ao seu som.... para eles tomorrow never knows era música eletrônica!!!! na essência, o que importa, é se a música é boa ou não.. concordam? um beijo e até daqui a pouco ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 16.9.08
------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 9.3.05
Muita gente me pergunta como foi que comecei a escutar rock.
Muita gente não sabe que tenho dois irmãos mais velhos: Nelson e Niltinho (que tocam no Kongo comigo) Muita gente não sabe que comecei a escutar rock em 1973, por causa dos meus dois irmãos... Óbvio que eu já ouvia rádio e gostava de muita coisa que ouvia mas meu interesse só foi realmente maior quando passei a manusear LPs. Nessa época os sons que bateram realmente forte, os que me chamaram a atenção, foram artistas que faziam parte da cena glam/glitter, dois em especial: SLADE e GARY GLITTER. Algumas pessoas falam que o Gary Glitter é caído. No geral é mesmo, mas digo que o cara tem uma coleção de singles matadores e foram justamente esses singles que me conquistaram. O primeiro contato que tive com o pedófilo foi através de um "best of" fooooooda de bom. Só clássicos. Com o Slade foi a mesma coisa, através de uma coletânea chamada Sladest. O engraçado é que a sensação que tenho quando reescuto esses artistas hoje em dia é a mesma que tive quando os ouvi pela primeira vez: UMA VONTADE LOUCA DE SAIR DANÇANDO E TOCANDO MINHA AIR GUITAR. De repente é essa sensação, esse estímulo primordial, que acabou me levando anos depois a me tornar dj. Sempre adorei dançar e adoro ver as pessoas dançando as músicas que gosto, porque procuro só tocar coisas que realmente gosto. Na verdade, pra mim a dança foi uma excelente terapia e uma forma que encontrei pra me livrar da tremenda timidez que tenho. Vocês podem achar que é mentira, mas sou TÍMIDO pra cacete e depois que comecei a freqüentar clubes é que me tornei um ser mais sociável. Tem uma coisa engraçada...tanto o Gary Glitter quanto o Slade tiveram várias músicas regravadas por dois outros artistas. O Gary pela JOAN JETT (ela tem umas versões até melhores que as originais) e o Slade pelo QUIET RIOT (que no meu modo de ver ficaram ridículas) e o OASIS fez uma cover pro Slade (Cum on Feel The Noize) e tem uma citação a Hello! Hello! I'm Back Again do Gary Glitter em Hello (do álbum (What's The Story) Morning Glory?) Depois dessa fase inicial sob influência dos meus irmãos, comecei a me interessar em ouvir outras coisas, o mais legal dessa época foi quando a Globo resolveu lançar um programa aos sábados direcionado pro publico jovem, ele era apresentado pelo Nelson Motta e se chamava Sábado Som. Logo no primeiro programa eles apresentaram o hoje clássico PINK FLOYD LIVE AT POMPEII, que consiste numa gravação de um show do PF (tocando material do MEDDLE) dentro das ruínas de Pompéia - era muita viagem prum garoto de 11 anos, não entendi nada mas as imagens da banda tocando envolta em nuvens de fumaça marcaram. Através desse programa passei a conhecer algumas coisas que mudaram minha cabeça, passei a gostar das bandas de hard rock com pegada soul: HUMBLE PIE, FACES, FREE, TRAPEZE entre outras....Essas bandas aliavam guitarras pesadas com uma faceta bem negróide - só pra constar, os vocalistas das bandas eram respectivamente: STEVE MARRIOTT, ROD STEWART, PAUL RODGERS e GLENN HUGHES , todos eles fantásticos sendo que o Marriott e o Hughes são meus prediletos (aliás, o meu primeiro LP foi do Trapeze: You're Are The Music... We're Just The Band). Isso nunca me impediu de continuar gostando dos glitters, não. Além do que foi por aí que descobri o BOWIE (sempre passava uma gravação de The Jean Genie no SS). Logo após a esse período (fins de 73 / início de 74) eu me mudei pra Brasília e meus irmãos ficaram no Rio. Fui forçado a andar com minhas próprias pernas. Engraçado que por esse tempo estava ficando muito forte a corrente do rock progressivo - YES, EMERSON, LAKE & PALMER e JETHRO TULL eram os mais famosos no meio da molecada - mas eu nunca fui muito chegado a esse tipo de som, apesar de tê-los ouvido muito. Tive a sorte de ficar amigo de caras que gostavam de rock mais "cru" também e descobri várias coisas legais : LED ZEPPELIN, THE WHO, DEEP PURPLE, CREAM, BLACK SABBATH, NAZARETH.entre outros.Até hoje, amo de paixão alguns discos que ouvi pela primeira vez lá - Houses of the Holy, Masters of Reality e Who's Next principalmente; mas eu sentia que ainda faltava algo. Esse não era o MEU som........ PS - apesar de estar falando mais sobre rock tenho que avisar que já gostava bastante de música negra, apenas não me interessava em comprar. Essa era a fase aúrea de BIG BOY e cia. Eu escutava direto os programas dele na Rádio Mundial 860 AM. Isso me levaria anos depois a viagens de resgate desses sons que ficaram no meu inconsciente. 1975 passou bem rápido, cada vez mais me envolvia com o som do THE WHO (Tommy, A Quick One e o Live At Leeds) e do LED ZEPPELIN (I, II, III, IV e Physical Graffiti), foi quando escutei pela primeira vez e pirei com dois guitar heros: JIMI HENDRIX e JEFF BECK. Lembro-me que não parava de escutar tanto o AXIS: BOLD AS LOVE quanto o BECK-OLA. 1976, foi o ano em que conheci um menino que havia acabado de voltar de Nova Iorque e que havia trazido de lá a coleção completa do VELVET UNDERGROUND e mais duas bandas que bateram forte em mim: STOOGES e NEW YORK DOLLS. Elas eram pesadas, barulhentas, referentes a coisas que eu já conhecia, mas absolutamente divertidas e tesudas pra mim. Fábio, esse era o nome do menino, também gostava muito de glitter rock e conversávamos direto sobre BOWIE, BOLAN e cia. Foi ele que me apresentou o ROXY MUSIC também, fiquei fascinado pelo som e pelas capas dos discos. Eu, cada vez mais, estava indo em direção a um som visceral e cru, apesar de ser fascinado pelo approach sofisticado blasè/decadente tanto do VU quanto do Roxy. Por essa época comecei a cavucar também as origens do rock. Descobri Jerry Lee Lewis, Buddy Holly e Eddie Cochran. Foi nessa época que comecei a me interessar seriamente pelos BEATLES. Era engraçada a relação que a garotada da minha idade tinha com os Beatles. Pra gente era uma banda pros caras mais velhos, era ultrapassada e fora de moda. Mas bastou sentar pra ouvir pela primeira vez o ABBEY ROAD, pra que eu ficasse completamente apaixonado por eles e corresse atrás pra conhecer os outros discos Mas eu só me renderia de vez mesmo alguns anos mais tarde quando entendi o que era o RUBBER SOUL e o REVOLVER. Informação sobre música nessa época se restringia a revistas e jornais importados. Mas alguns jornalistas abnegados resolveram criar uma revista que muito me ajudou a conhecer os grandes nomes que já haviam aparecido no cenário rock. O nome dela: ROCK, SUA HISTÓRIA E SUA GLÓRIA. Foi através dela que pela primeira vez li as histórias de muitos desses meus heróis da época. E foi assim que cheguei a 1977, o ano quem mudou completamente minha cabeça musical. O ano que descobri MEU som.... 7. Posso considerá-lo meu número da sorte. Sempre que ele está envolvido algo de bom acontece comigo. Imagine em dobro!!! 77 - o ano que tudo mudou, o ano que eu descobri o que eu era e o que eu ansiava e tanto procurava. 1977, meu ano!!! Imaginem um moleque que volta aos 15 anos pro Rio e se descobre sozinho!!! Seus irmãos tinham outros interesses - nessa idade um ano de diferença na verdade representa um gap brutal. Gostavam de coisas que eu não gostava, descobriram coisas de MPB que eu abominava e ainda abomino, ouviam jazz rock, em suma nada me agradava. Minto! Eles me apresentaram BOB MARLEY - Rastaman Vibration era o álbum, novidade pra mim aquele ritmo malemolente e ao mesmo tempo pulsante, puro tesão. Roots, Roooooock, Reggaeeeeeee...This Is Reggae Music. Comecei a pirar, mas queria mais...não era isso ainda. Descobri JAMES BROWN - Mr Dynamite - o álbum era Sex Machine. Get Up...pirei mais um pouquinho mas ainda não era isso....(Esses sons e esses discos tiveram uma importância considerável pra mim poucos anos depois, forjaram meu gosto rumo a um leque amplo de sons e ritmos - a primeiro ouvir pra depois julgar se era bom ou não, porque por incrível que pareça tem gente que fala que algo não é legal ou é demais sem nunca tê-lo ouvido antes). Um sábado do mês de agosto. Por incrível que pareça a Globo transgredindo sua mesmice e chatice, em plena tarde de sábado passa uma banda de Nova Iorque tocando ao vivo numa espelunca que parecia um teatro mas não era um teatro. Quatro caras com calças jeans rasgadas e jaquetas de couro tocando um som simplório e ingênuo, mas com tanta raça e com tanto tesão que aquilo que parecia ser o NADA se transforma no TUDO. Puta que o pariu!! O que era aquilo??? Será que descobri o que eu procurava?? O nome? RAMONES!!! As músicas??? Blitzkrieg Bop emendada em Loudmouth... Aquele som, aquelas imagens ficaram martelando na minha cabeça durante a semana inteira. No sábado seguinte outra porrada... Um cara feio pra caralho, com os dentes podres vestindo uma calça de couro pra lá de ensebada e uma camiseta toda rasgada onde ainda se lia DESTROY, berrando no microfone a coda da música: NOOOO FUUUTUURE......FOR YOUUUUUUUUUUUUUUU. Cortei meu cabelo comprido na segunda feira. Na terça feira sai a cata do álbum, daqueles caras que eram um pouca coisa mais velhos que eu mas que faziam o som que eu queria ouvir e cantavam as letras PRA MIM. Bodies, Liar, Submission, Problems, Holidays In the Sun. Achei aquele LP com a capa amarelo ovo com uma tarja cor de rosa cortando-a na diagonal em uma loja na Avenida Ministro Edgard Romero em Madureira. Peguei meu suado dinheirinho e paguei aquele disco (é saiu aqui quase que ao mesmo tempo que na Inglaterra mas só havia um na loja, já que a gravadora nada fez pra divulgar aquele bando de moleques imundos por aqui). Never Mind The Bollocks Here's The SEX PISTOLS, era o disco. Escutei essa porra de disco por meses a fio até entender o que era aquilo, o que era aquela raiva, o que era aquele tesão todo. Acabei infkuenciado meu irmão mais velho, Nelson, e ele pirou nos caras também. Não como eu claro; nada comparado ao turbilhão que esse som causou na minha cabeça e na minha concepção - daí pra frente - do que era / é arte..... Poucos meses depois comprei outro disco que junto ao Ramones e ao Sex Pistols me transformaram no que sou até hoje. Um eterno contestador do estabelecido e do que querem nos impor. O disco? THE CLASH. Quem me conhece bem sabe da minha paixão por esses nomes que citei nesse pequeno ensaio sobre meu ano de 1977. Ainda hoje minha alma vaga em 77. Estou aqui e estou lá! Esse é meu espírito, minha ideologia, minha chama mais profunda que ainda arde e sempre arderá e isso nunca vai mudar!!!!!!!!!! ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 28.9.04
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estava brincando de fazer retratos-falado e fiz um meu parece quando eu tinha 15 anos
quem quiser tentar é só ir aqui ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 4.6.04
o texto: Rio, 04 de junho de 2004 O rei do rock Carlos Albuquerque A música clássica perdeu um reforço de peso. Edson Milese de Albuquerque Cerqueira não pôde ir muito longe em suas aulas de piano porque, como explicou sua professora, tinha um problema grave: dedos pequenos. Segundo ela, aquele jovem e dedicado estudante jamais iria conseguir tocar Liszt perfeitamente. — Por causa disso, não consegui completar o curso e fiquei revoltado. Acho que eu virei punk naquele momento. Virou mesmo. Passados quase 30 anos daquela rejeição, ele não se importa mais com o tamanho dos dedos. Hoje, Edson é mais conhecido como Edinho e usa suas mãos para tocar White Stripes em vez de Bach, Rapture em vez de Chopin, e Radiohead em vez de Wagner. O pianista virou DJ. E pode ser visto em ação hoje no Sygno Music Club, amanhã na Casa da Matriz, e domingo no Dama de Ferro. Durante seus “concertos”, o silêncio é absolutamente desnecessário. A agenda cheia no fim de semana não é por acaso. Há 16 anos em atividade, Edinho é o melhor DJ de rock do Rio. Verdadeira filipeta ambulante da noite carioca, tendo comandado festas em quase todas as casas noturnas da cidade, ele conseguiu se manter atualizado, superando a barreira do tempo (tem 42 anos) e acumulando milhas de respeito e admiração no percurso. — O Edinho tem um conhecimento musical absurdo e o talento de juntar estilos variados com perfeição — diz Roberto Pedroza, produtor de eventos e ex-sócio da extinta Dr. Smith, onde o DJ foi residente por seis anos. Antes disso, porém, ele batia ponto quase todos os dias no Crepúsculo de Cubatão, legendário point alternativo na virada dos anos 80/90 e que tinha Ronald Biggs como um dos donos. Foi no Crepúsculo que nasceu o DJ Edinho. - Eu vivia sempre lá e um dia um dos donos, o Tristan, pediu-me para substituir o DJ, que era o Paulo Futura, que não ia poder tocar — lembra. — Eu entrei na cabine e só saí quando já era quase de manhã. Foi um momento inesquecível. A partir dali, acendeu uma luz e vi que queria ser DJ Na verdade, Edinho já havia sido influenciado por um outro DJ: seu pai. Responsável pela caçada que culminou com a morte do guerrilheiro Carlos Lamarca, em 1971, o general Nílton Cerqueira, ex-secretário estadual de Segurança Pública, era, segundo seu filho, um DJ também. - Ele botava som nas festas do Colégio Militar. Até hoje, tem aqueles discos, que vão de Noel Rosa a Ataulfo Alves. Foi com ele e com minha mãe, que é pianista frustrada, que passei a gostar de música. Ligado à música, de fato, Edinho sempre foi. Durante anos, enquanto a carreira de DJ não se firmava, ele dividia seu tempo entre a banda de ska Kongo (do divertido hit “Biquini defunto”) e o trabalho de vendedor numa loja de discos em Copacabana. - Era Roberto Carlos e samba o dia todo na cabeça. O sobrenome conhecido fez com que repercutisse em dobro um contato imediato (e quase fatal) que Edinho teve com um protótipo de pitboy, em 1994. Ele foi esfaqueado dentro da cabine do DJ, na Basement, na Galeria Alaska. - O cara era um louco e tinha se envolvido numa briga com os seguranças — lembra, sem saudades. — Ele voltou na semana seguinte, totalmente alterado e querendo confusão. Do nada, atacou um amigo meu, que tentou se proteger na cabine. Acabou sobrando para mim. Só não foi pior porque fui protegido pela minha barriga (risos) . Recentemente, Edinho se viu no meio de outra confusão, mais branda, envolvendo seu nome, a Alien Nation (uma das mais tradicionais festas de rock da cidade) e a casa noturna Bunker. — O dono da Bunker ficou com ciúmes porque o Edinho ia tocar na casa de um ex-funcionário e exigiu exclusividade — conta Wilson Power, produtor e DJ da festa. — Disse que isso era impossível. Ele pediu então que o Edinho fosse desligado da festa. Não aceitei e fui mandado embora. Foi uma tremenda injustiça porque ajudamos a criar a casa. - Foi só uma divergência entre a festa e a casa - ameniza Fabrizzio Martin, produtor da Bunker. - Não temos nada contra o Edinho e não queremos criar desavenças com ninguém. Escaldado com as picuinhas e as guerras de vaidades da noite, Edinho diz que o episódio Bunker deixou uma boa lição. - Os DJs são muito desunidos. Nesse caso, porém, a solidariedade foi grande. Seria legal se nos organizássemos melhor — diz ele, que mora com os pais e garante viver apenas das festas em que toca — A noite do Rio é difícil e o público, muito instável. O DJ acaba ficando numa posição muito frágil. Alguém já sugeriu que Edinho entrasse para a política (seu pai foi deputado federal) para defender as causas “alternativas”. Prestes a se formar em comunicação social, ele jura que não foi seduzido pela idéia. - Minha política é a do The Clash — diz, citando um dos seus grupos favoritos. — Sou anarquista. Vivo de música e sou feliz assim. acho que ele exagerou um pouco, mas fiquei MUITO feliz ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 24.5.04
que será que passa na cabeça de uma pessoa pra chegar e te pedir uma música da seguinte forma: dá pra tocar um roquezinho? roquezinho é o caralho!!!!! olha o respeito, ae!!!! na boa, se um cara fala que gosta de roquezinho, de sambinha ou de mulherzinha; já começa errado!!!! ao meu ver, isso aí é falta de respeito. quando quero menosprezar algo sempre coloco a palavra no diminutivo.....é uma coisinha que não me ameaça, que não me incomoda ou que não me excita!!! não me venham com piadinhas a cerca do meu nome/apelido....isso não está em julgamento e no caso de pessoas, sim, o diminutivo toma um aspecto carinhoso!!! mas porque eu to falando isso? estava eu tocando nesse último sábado na matriz quando numa hora lá em que eu estava fazendo uma seqüência bem punk: clash, buzzcocks, etc...me aparece um fulano e me vem com essa: - dá pra tocar algo mais roquezinho? - ué, o que está tocando é o que? sambinha, por acaso? - é, pode ser!!! enfim...você vai tocar o meu roquezinho? - então meu camarada, dá não!!! você tá querendo ouvir o seu roquezinho e eu vou continuar tocando meu sambinha!!! acho que o cara ficou meio puto porque ele traçou uma reta direta pra saída... mas na boa, nem me preocupei...não é o tipo de cara que quero escutando meu som!!! vai pra puta que o pariu e vai escutar o roquezinho dele em casa ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 29.3.04
sábado passado (27/03) rolou uma festa produzida pela minha amada amiga gabi em comemoração aos 20 anos de fundação do crepúsculo de cubatão. foi uma festa muito legal e divertida, reencontrei amigos e pessoas que conheci no crepúsculo e isso foi demais, mas tenho que lembrar que, na verdade, o cubatão só abriu em dezembro de 84. tudo começou há 20 anos. 1984, a época das primeiras festas new wave do Rio. a primeira que fui era uma festa lançamento do terceiro disco do culture club na papagaio disco club e nela aconteceu um concurso do sósia mais fiel do boy george, foi no meio de semana (uma terça se não me falha a memória) e foi um arraso. logo depois, lá mesmo na papagaio, começaram a rolar as festas do club new wave e quem era o dj das festas era o josé roberto mahr. foram 7 meses de muita alegria aos sábados e lá conheci um número enorme de pessoas que considero minhas amigas até hoje: luis cláudio, dudu, claudinha pipoca, cris da urca, batatinha, satanésio, tantão, olmar, betinho, patrícia, paulinho, mira, chico pico, bebel, vanessa, muita gente... o crepúsculo abriu logo após o fechamento da papagaio. o club new wave ainda rolou em alguns lugares: roller skate e um outro espaço que não me lembro o nome. depois disso ficou um tempo sem rolar e só voltou quando a metrópolis abriu, mas ai já havia trocado de nome e assumido o mesmo nome do programa que o zé fazia na rádio universitária da estácio: novas tendências. mas o que realmente queria dizer é que o crepúsculo NUNCA foi uma boate gótica, lá se tocava de tudo do que existia de mais moderno na época. A boate era totalmente linkada com a europa e assim que os bons sons eram lançados lá já estavam tocando por aqui também. as pessoas, hoje em dia, pensam que só se tocava som dark na pista. isso é uma tremenda balela e virou verdade por conta daquela máxima do goebbels: uma mentira contada mil vezes acaba virando verdade.... ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 17.3.04
hoje pela manhã, conversando / discutindo com o thiago filardi (garoto bacana que apesar da pouca idade conhece bastante de música e defende suas idéias com o vigor típico dos jovens) sobre rock e influências musicais. deu-me o estalo de escrever sobre como sou atraído pela música. vou deixar para falar sobre isso no final e vou contar sobre a conversa com thiago.
em determinado momento do papo, thiago começou a falar de que como jeff buckley e nick drake são ótimos letristas. concordo plenamente, mas me dou ao direito de não achá-los tão fundamentais como ele afirmou na hora. vocês vão entender no final! de jeff e nick o papo passou para bob dylan e beatles. segundo o thiago, o bob influenciou os beatles e que eles melhoraram demais por conta dessa influência. sim, é óbvio que influenciou e é ótimo que tenha influenciado. mas foi influenciado - e muito - por eles também. a gente percebe facilmente a mudança que houve na qualidade / conteúdo das composições ocorridas depois da primeira turnê americana do "quarteto fantástico", também percebe-se onde dylan mudou: a famosa guinada rumo à eletrificação de suas canções, que fez com que ele fosse defenestrado / xingado / crucificado pela "inteligentzia" folk americana. certo? não sou louco de afirmar que não reconheço a importância que robert zimmermann tem para o gênero musical pelo qual sou apaixonado, mas não é por isso que tenho que ter discos de dylan. não os tenho, não me agrada em nada a música de bob interpretada por bob. amo byrds, adoro hendrix tocando músicas de dylan, existem diversas regravações de músicas dele que gosto. mas não gosto do próprio. pode parecer estranho, mas não gosto MESMO!!! ps - é óbvio que algumas coisas eu gosto, mas no geral não!!! ele (thiago), em determinado momento, afirmou ser dylan a personificação do próprio rock, que tudo o que veio após era / é dylan - inclusive o punk -, pela constatação de que ele vai contra tudo o que existe e todos os padrões estabelecidos. um guerrilheiro, em suma. não nego que haja essa influência, mas não acho que seja nessa grandeza. outras figuras - não tão famosas como, mas tão importantes quanto - deram sua contribuição: iggy pop (stooges), lou reed (velvet underground), mc-5, eddie cochran, stockhausen e por aí vai. thiago não entende o porque de eu não ser fã de dylan. vou explicar: eu gosto de música. gosto de melodia antes de tudo, se uma melodia me agrada eu depois busco saber o que está sendo dito na música. essa é a forma como "sinto" a música: a melodia vem sempre antes. se o que ouço me atrai procuro saber o que é. para mim a letra complementa. se fosse o contrário seria literatura musicada e não música. existe coisa mais rock que WOOO-BOP-A-LULA-WAHH-BAM-BOOM ou GABBA GABBA HEY?? e o que isso significa?? TUDO E NADA. é isso!!!! uma menina que estava por perto e estava escutando a conversa / discussão me perguntou:"e o rap ?" rap é antes de tudo contestação, luta e panfletarismo. é movimento social e a música está inserida nesse contexto e não pode ser extraída dele. detalhe: gosto e muito de rap. sou um melônamo. antes de tudo eu me interesso pela música pura e simples, pelos sons. ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 10.3.04
percebam como um belo texto - no caso, uma crítica ao london calling do clash - pode te influenciar....
a autora é a ana maria bahiana, que hoje em dia é correspondente de "o globo" em los angeles UM SUSTO, UMA PAULADA: CLASH!! E A VIDA CONTINUA Aí você vem vindo um dia pela rua achando que talvez não haja futuro mesmo, como diziam os Sex Pistols: "Nooooooooo fuuuuuuuture, noooooooo future for you". Ou que a tal da maturidade chega mesmo e seus ouvidos ficam mais grossos ou que esses samboleros de desencontros amorosos aí no rádio até que não são tão chatos assim ou que, caramba, às vezes é melhor pôr uns patins e comprar umas joelheiras rosadas e uns fones de ouvido pra ficar plugado na Rádio Cidade. Aí você vem pela rua se perguntando aquelas jogadas tipo pra que ?, o que foi feito ?, como é que é ?, quem está sendo enganado ?, e vem pensando que não há mais nada, nada, nada, nada mesmo que faça seu coração bater mais depressa, ou que dê aquele gelado na boca do estômago ou que possa te acordar e, porra, te fazer sair dessa rua ou desse quarto ou te ponha dançando ou te dê coragem ou alegria ou, porra, esperança. Aí você ouve: "Londres está chamando!!!!" (Londres ? Como ? Isso já não morreu ?) "Londres está chamando o submundo / Saiam daí garotos e garotas / Londres está chamando / Não olhem para nós / Aquela beatlemania falsa já caiu por terra / Londres está chamando os imitadores / Esqueça isso irmão, faça as coisas do seu modo...." A voz é verdadeira, é humana e tem raiva, desespero, gana de reagir. A bateria é implacável - o modo como ela rosna cá na frente, o modo como ela vira ponto de exclamação, grito. E há duas guitarras e um baixo, mas isso você demora um pouco mais a perceber porque ninguém está se exibindo e tudo soa como um único tecido vivo; negro, básico. Alguma coisa saída da noite dos tempos de rock'n'roll. Do Delta, de Memphis, de Detroit, do bairro jamaicano de Londres. Alguma coisa muito primitiva e muito refinada, uma barricada sonora que você agora ouve melhor, tem tantos pequenos detalhes e contracantos e riffs, que tornam quase impossíveis não fazer os dedos dos pés mexerem e as mãos ficarem suadas e inquietas e (será mesmo ?) seu coração bater mais veloz. Oh! Sim!!! É claro que você não é bobo. Você já ouviu muitas coisas boas ultimamente, ouviu bons discos de reggae que até te fizeram dançar e Tom Petty, Joe Jackson, Bram Tchaikovsky e coisas bem bonitas nessa linha que parece que sou uma crítica aí (aqui?) chamou de fundamentalismo rock'n'roll. Você sabe que há vida além do funk e até acha essas coisas todas muito boas e compra os discos. Mas isto aqui é diferente. Há alguma coisa aqui. Uma espécie de raiva. Uma espécie de guerra. A convicção de um condenado à morte clamando inocência. Alguma coisa que você não ouvia desde...desde...desde os Stones em 69 ? (aquilo existiu mesmo ?)...Dylan em 64 ? (existiu mesmo ?)...Who em 69 ? (mesmo ?)... Você compra um jornal inglês e primeira leva um puta susto porque tem lá centenas de grupos que você nem sabia que existiam. Mas fica frio (jura não mais comprar a Rolling Stone). Lê que Londres chamava via um grupo chamado The Clash: Mick Jones, Joe Strummer, Paul Simonon e Topper Headon. Todos londrinos "of course".
Lê que eles dizem - e eles são até chatos no seu proselitismo faça-você-mesmo. Você está acostumado a desconfiar e desconfia e eles insistem tanto no pouco que sabem, no muito que pretendem. Você acredita um pouco porque, porra, eles estão como você afinal de contas; tão perdidos e incendiários como você. Você compra os outros dois discos deles. Não são tão bons, mas você entende tudo melhor: na barricada sonora de "The Clash"; nas guitarras imensas de "Give'em Enough Rope". Você ouve a mesma convicção, a mesma fagulha que você não consegue pegar. Londres está chamando. Você ouve sem cessar. Você ouve: "Eu escutava o pessoal do andar de cima / gritando e brigando toda a noite / e esse som foi meu primeiro sentimento /... / eu compro meu superálbum de discoteca / esvazio uma garrafa / e me sinto um pouco livre"... (a bateria é demente; ela costura tudo e segura tudo, até quando aquela linda guitarra faísca e geme tão brava que você enlouquece de desejo). Você ouve: "Quando baterem na sua porta / como você vai atender ? / Com as mãos na cabeça ? Ou no gatilho de um revólver ?" (você tem medo - baixo, guitarra, bateria ondulam num quase reggae, o som da voz é escuro; aqui há um túnel, um pesadelo). Você ouve: "Trate-me bem / garota de programa / pó da vida onde não há vida / então, trinca cara, trinca..." (tudo num fuso só, um fuzil só, uma lâmina aguda de voz e eletricidade, tudo nervoso e cocainímico, mas Joe Strummer está rindo. Está rindo, cara, rindo!! E você pula pela sala rindo também). Você ouve: "De cada porão imundo em cada rua imunda / Eu ouço o som das palmas marcando cada batida / E isto é só a batida do tempo / a batida que nunca passará" (no fim da música Joe Strummer murmura, enquanto duas guitarras fazem a coda mais emocionante que você conhece: "Nós vamos dar trabalho / Nós vamos botar pra quebrar / raise trouble, raise hell"). Você acredita. Lá no meio há uma virada da bateria que poria Keith Moon no céu e Joe Strummer canta como um galo enfurecido. (Além do mais isso aqui é musica de macho). Confundi vocês, queridos? E quando você pensa que acabaram os dois lados deste banquete, desta jornada até as profundezas da louca cidade ocidental, do fim do século, deste delírio acordado - acordadíssimo - deste acesso de lucidez luminosa que não lhe poupa dor e tesão e paixão e prazer, desta desvairada esperança de que o rock'n'roll existe mesmo e que ainda há coisas possíveis a serem feitas enquanto toda esta merda não explodir de vez. Pois bem, quando você, suado e estafado acha que acabou, não acabou - uma coda majestosa se ergue das sombras do disco (não está escrita na capa, você ainda tem tempo de perceber) e empurra você de volta à rua, àquela rua, a tal por onde você passava um dia achando que talvez não houvesse futuro mesmo. Alguma coisa quebrou, irremediavelmente, em seu peito. Você está vivo!!!! (Ana Maria Bahiana, Som Três nº 19 / ano:1980) ------------------------------------------------------------------------------------------------->>>>> eletrocomments: ______________________________________________________________________________________________________ 3.1.04
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